Glaucoma congênito: sinais no bebê e por que é urgente

Por Dra. Bárbara Merlo | Oftalmopediatra e especialista em Estrabismo pelo HC-USP

O olho do bebê parece maior do que deveria. Ele pisca muito na claridade e chora ao ser exposto à luz. A mãe percebe que algo não está certo, mas não sabe nomear. Em muitos casos, esses sinais indicam glaucoma congênito, uma condição rara mas grave que, sem diagnóstico e tratamento imediatos, pode comprometer a visão de forma permanente.

O glaucoma não é uma doença de adulto. Em bebês e crianças pequenas, ele tem uma apresentação própria, e os pais que conhecem os sinais são os que chegam a tempo.

O que é glaucoma congênito?

Glaucoma congênito é um aumento da pressão intraocular causado por uma malformação no sistema de drenagem do líquido interno do olho. Quando esse líquido não escoa adequadamente, a pressão dentro do olho sobe, comprimindo o nervo óptico e danificando a visão progressivamente.

Nos bebês, o olho ainda é elástico. Por isso, a pressão elevada faz o globo ocular crescer além do normal, um sinal que não existe no glaucoma do adulto e que é característico da forma congênita.

Quais são os sinais no bebê?

  • Olho visivelmente maior do que o outro, ou ambos os olhos maiores do que o esperado para a idade
  • Fotofobia intensa: o bebê chora ou fecha os olhos diante da luz
  • Lacrimejamento excessivo sem causa aparente
  • Córnea turva ou esbranquiçada, quando deveria ser transparente
  • Piscar excessivo e esfregar os olhos com frequência
  • Olho vermelho persistente

Qualquer um desses sinais, especialmente combinados, exige avaliação oftalmológica no mesmo dia. O glaucoma congênito é uma emergência.

Por que o diagnóstico precisa ser imediato?

O nervo óptico não se regenera. Cada dia com pressão elevada é um dia de dano acumulado ao nervo responsável por transmitir as imagens ao cérebro. Além disso, a pressão elevada durante o período crítico de desenvolvimento visual pode causar ambliopia grave no olho afetado.

O glaucoma congênito tratado dentro das primeiras semanas após o diagnóstico tem prognóstico muito melhor do que o detectado tardiamente.

Como é tratado?

O tratamento do glaucoma congênito é predominantemente cirúrgico. Colírios redutores de pressão podem ser usados como medida temporária, mas não resolvem a malformação subjacente.

As técnicas cirúrgicas mais utilizadas são a goniotomia e a trabeculotomia, que abrem o sistema de drenagem bloqueado. O índice de sucesso é alto quando o procedimento é realizado por cirurgião experiente e dentro do momento adequado.

Após a cirurgia, o acompanhamento é regular e de longo prazo, com avaliação da pressão ocular, do nervo óptico e do desenvolvimento visual, incluindo rastreamento de ambliopia.

O que não fazer

Não atribua o olho maior a uma característica estética ou familiar sem avaliação médica. Assimetria ocular em bebês tem causa e precisa ser investigada.

Não espere a próxima consulta de rotina. Glaucoma congênito é uma emergência oftalmológica. Diante dos sinais, procure avaliação especializada no mesmo dia.

Conclusão

O glaucoma congênito é raro, mas seus sinais são reconhecíveis quando os pais sabem o que observar. Diagnóstico precoce, cirurgia dentro do momento certo e acompanhamento regular são o que define se a criança vai preservar a visão. Conhecer os sinais é o primeiro passo.

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