Por Dra. Bárbara Merlo | Especialista em Oftalmopediatria e Estrabismo pelo HC-USP
A foto do recém-nascido chega, e os pais percebem: um olhinho parece desviado. Ou a avó comenta na visita. Ou o pediatra menciona na consulta de rotina. O que vem a seguir é quase sempre ansiedade.. misturada com dúvida: é normal isso nos bebês? Já preciso me preocupar?
Este artigo existe para responder exatamente a isso: o que é normal no desenvolvimento visual do bebê, quando o desvio é fisiológico e quando é sinal de alerta.
Ao nascer, o sistema visual ainda está muito imaturo. O recém-nascido enxerga formas e luz, mas a nitidez, o foco e a coordenação entre os dois olhos são capacidades que se desenvolvem ao longo dos primeiros meses.
Isso significa que é completamente normal que um bebê de 1 ou 2 meses tenha olhos que “passeiam” de forma independente, que oscilam, que parecem desalinhados em alguns momentos. O sistema ainda está sendo calibrado.
O que os especialistas chamam de pseudo-estrabismo também é muito comum: a impressão de que os olhos são desviados por conta do formato da face do bebê —> especialmente a presença de epícanto (prega de pele no canto interno do olho) que esconde parte do branco do olho e cria a impressão visual de desvio. O olho está perfeitamente alinhado; a anatomia é que cria a ilusão.
Até os 3 a 4 meses, alguma irregularidade no alinhamento ocular pode ser considerada normal em bebês a termo saudáveis. Os olhos ainda estão aprendendo a trabalhar juntos.
A partir dos 4 meses, espera-se que os olhos já demonstrem alinhamento consistente na maior parte do tempo e capacidade de fixar e seguir objetos com os dois olhos juntos.
Apenas um desvio ocular não resolve por conta própria: o estrabismo verdadeiro, especialmente o estrabismo convergente (olho desviando para dentro), raramente melhora espontaneamente após os primeiros meses.
Independente da idade, alguns achados devem ser avaliados sem demora:
Qualquer um desses sinais justifica encaminhamento imediato ao oftalmopediatra, independente de quanto tempo o bebê tem.
A recomendação da maioria das sociedades de oftalmologia pediátrica é que toda criança faça uma avaliação oftalmológica entre seis e doze meses, mas quanto antes melhor, mesmo sem nenhum sinal de alerta. Muitas condições que impactam o desenvolvimento visual não produzem sinais visíveis até que já têm meses ou anos de evolução.
Se há histórico familiar de estrabismo, ambliopia, catarata congênita ou miopia alta, a avaliação precoce é ainda mais importante.
“O pediatra olhou e disse que está normal. Preciso de avaliação oftalmólogica mesmo assim?”
Sim. A avaliação do pediatra é valiosa para triagem, mas o exame oftalmólogico completo com cicloplegia detecta condições que não são visíveis no exame clínico geral.
“O olho do meu filho de 2 meses parece torto só de vez em quando. Pode ser estrabismo?”
Aos 2 meses, episódios ocasionais de desalinhamento ainda podem ser fisiológicos. Se persiste e aumenta de frequência, ou se há qualquer outro sinal de alerta, avalie com especialista.
“O nariz achatado do meu bebê faz parecer que os olhos são tortos. É isso?”
Provavelmente é pseudo-estrabismo. Mas a única forma de confirmar é o exame especializado. É um diagnóstico de exclusão que só o especialista pode fazer.
Nem todo desvio ocular em bebâs é estrabismo. Mas todo desvio ocular em bebês merece atenção. A diferença entre o fisiológico e o patológico é uma fronteira que só o exame especializado pode definir com segurança.
Agir cedo, quando há dúvida, é sempre a decisão certa.
Compartilhe:
Dúvidas sobre o desenvolvimento visual, estrabismo ou o aumento do grau? Clique abaixo para falar diretamente com nossa equipe e agendar sua consulta em São Paulo ou Bento Gonçalves.
Atendimento especializado em duas unidades na capital. Fale com minha equipe e vamos indicar o local mais adequado para o seu caso.
Cuidado humanizado no Centro de Bento Gonçalves. Fale com minha recepção no Sul e agende sua consulta com atenção personalizada.