Por Dra. Bárbara Merlo | Oftalmopediatra e especialista em Estrabismo pelo HC-USP
O olho do bebê parece maior do que deveria. Ele pisca muito na claridade e chora ao ser exposto à luz. A mãe percebe que algo não está certo, mas não sabe nomear. Em muitos casos, esses sinais indicam glaucoma congênito, uma condição rara mas grave que, sem diagnóstico e tratamento imediatos, pode comprometer a visão de forma permanente.
O glaucoma não é uma doença de adulto. Em bebês e crianças pequenas, ele tem uma apresentação própria, e os pais que conhecem os sinais são os que chegam a tempo.
Glaucoma congênito é um aumento da pressão intraocular causado por uma malformação no sistema de drenagem do líquido interno do olho. Quando esse líquido não escoa adequadamente, a pressão dentro do olho sobe, comprimindo o nervo óptico e danificando a visão progressivamente.
Nos bebês, o olho ainda é elástico. Por isso, a pressão elevada faz o globo ocular crescer além do normal, um sinal que não existe no glaucoma do adulto e que é característico da forma congênita.
Qualquer um desses sinais, especialmente combinados, exige avaliação oftalmológica no mesmo dia. O glaucoma congênito é uma emergência.
O nervo óptico não se regenera. Cada dia com pressão elevada é um dia de dano acumulado ao nervo responsável por transmitir as imagens ao cérebro. Além disso, a pressão elevada durante o período crítico de desenvolvimento visual pode causar ambliopia grave no olho afetado.
O glaucoma congênito tratado dentro das primeiras semanas após o diagnóstico tem prognóstico muito melhor do que o detectado tardiamente.
O tratamento do glaucoma congênito é predominantemente cirúrgico. Colírios redutores de pressão podem ser usados como medida temporária, mas não resolvem a malformação subjacente.
As técnicas cirúrgicas mais utilizadas são a goniotomia e a trabeculotomia, que abrem o sistema de drenagem bloqueado. O índice de sucesso é alto quando o procedimento é realizado por cirurgião experiente e dentro do momento adequado.
Após a cirurgia, o acompanhamento é regular e de longo prazo, com avaliação da pressão ocular, do nervo óptico e do desenvolvimento visual, incluindo rastreamento de ambliopia.
Não atribua o olho maior a uma característica estética ou familiar sem avaliação médica. Assimetria ocular em bebês tem causa e precisa ser investigada.
Não espere a próxima consulta de rotina. Glaucoma congênito é uma emergência oftalmológica. Diante dos sinais, procure avaliação especializada no mesmo dia.
O glaucoma congênito é raro, mas seus sinais são reconhecíveis quando os pais sabem o que observar. Diagnóstico precoce, cirurgia dentro do momento certo e acompanhamento regular são o que define se a criança vai preservar a visão. Conhecer os sinais é o primeiro passo.
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