Receber o diagnóstico de estrabismo para o filho é, para muitos pais, um momento de angústia. Surgem as perguntas ao mesmo tempo: Vai precisar de cirurgia? Vai ficar com sequela? Por que não vi antes? O que eu faço agora?
Este artigo é para você que está nesse momento. Vou explicar, de forma clara e sem rodeios, o que o diagnóstico significa, quais são os próximos passos e o que realmente determina o resultado do tratamento.
Estrabismo tem tratamento. Na grande maioria dos casos, quando diagnosticado dentro da janela de desenvolvimento visual (antes dos 7 ou 8 anos) o tratamento é eficaz e os resultados são muito bons.
O que define o prognóstico não é o fato de ter o diagnóstico. É o que se faz a partir dele.
Estrabismo é o desalinhamento dos olhos → quando os dois não apontam para o mesmo lugar ao mesmo tempo. Ele pode ser constante ou intermitente, pode afetar sempre o mesmo olho ou alternar entre os dois, e pode desviar para dentro, para fora, para cima ou para baixo.
O tipo e o grau do desvio determinam o tratamento. Por isso, o diagnóstico detalhado, com medições precisas do ângulo de desvio, é o ponto de partida de tudo.
Duas perguntas são centrais nessa avaliação:
Passo 1: Avaliação completa com cicloplegia
Se ainda não foi feita, o primeiro passo é um exame completo sob efeito de colírio ciclopégico, que revela o grau real dos olhos e ajuda a identificar causas refratais do desvio.
Passo 2: Correção do erro refrativo (se houver)
Quando há hipermetropia ou outro erro refrativo associado, os óculos são prescritos primeiro. Em alguns casos, o simples uso correto dos óculos por alguns meses reduz significativamente o desvio.. ou o resolve completamente.
Passo 3: Tratamento da ambliopia (se presente)
Se um dos olhos desenvolveu ambliopia (olho preguiçoso), inicia-se a oclusão (o tampão no olho bom) para estimular o desenvolvimento do olho afetado. Esse tratamento precisa de tempo e consistência, mas tem resultados expressivos quando iniciado cedo.
Passo 4: Avaliação da necessidade cirúrgica
Após as etapas anteriores, ou paralelamente a elas, dependendo do caso, avalia-se se o desvio residual requer correção cirúrgica. A cirurgia de estrabismo é um procedimento seguro, externo ao globo ocular, com alta taxa de sucesso.
Na minha experiência, o fator que mais diferencia os casos com excelente resultado daqueles com resultado parcial não é o tipo de estrabismo, nem o grau do desvio. É a adesão ao tratamento.
Isso significa:
O tratamento do estrabismo não é um evento único.. é um processo. E os melhores resultados são alcançados pelos pais que entendem isso e mantêm a consistência mesmo quando a criança resiste, mesmo quando a rotina atrapalha, mesmo quando parece que nada está mudando.
Esperar para ver se melhora sozinho
O estrabismo não se resolve espontaneamente após os 4 a 6 meses de vida. Cada mês de atraso é uma oportunidade perdida dentro da janela de desenvolvimento.
Abandonar os óculos porque a criança resiste
A resistência inicial é normal e esperada. Com estratégias adequadas (e paciência) a maioria das crianças adapta-se bem. O abandono do óculos pode comprometer meses de tratamento.
Buscar “segunda opinião” para evitar o tratamento
Buscar uma segunda opinião pode ser importante. O cuidado está em não usar isso para postergar o tratamento indicado, já que o tempo é um fator essencial no desenvolvimento visual infantil.
Comparar com outras crianças
Cada caso de estrabismo é único. O tratamento do filho do vizinho pode ser completamente diferente.. e igualmente correto para o quadro específico daquela criança.
Para aproveitar ao máximo o acompanhamento com o oftalmopediatra:
O diagnóstico de estrabismo não é o fim de nada. É o começo do tratamento.
Com o acompanhamento especializado correto, iniciado dentro da janela de desenvolvimento visual, a grande maioria das crianças alcança alinhamento ocular satisfatório. e muitas desenvolvem visão binocular completa, com percepção de profundidade preservada.
O que faz a diferença é agir agora, com consistência e com o profissional certo.
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